A montagem sempre foi o tema de amplas discussões sobre a arte cinematográfica. Questões como, qual o impacto da montagem? Como a montagem interfere nos planos? E, o que é um plano? Sempre foram cruciais para teóricos do cinema, tanto formalista quando realistas.
Os teóricos formalistas defendiam a ideia do cinema como uma forma, de passar uma ideia e expressar o algo. Já os realistas, obviamente defendiam como uma arte sobre o registro da realidade. Claro que esse é um resumo extremamente superficial, pois estamos falando em poucas linhas de décadas de trabalhos e vidas inteiras dedicadas ao estudo cinematográfico.
Tendo superficialmente apresentado essa questão ao leitor, vou agora para minha análise principal. O cinema de Zack Snyder.
Tendo 9 filmes em sua carreira sendo 5 adaptações de quadrinhos vemos o forte impacto da nona arte sobre Snyder.
Os quadrinhos foram de grande ajuda na vida de Zack que nunca conseguiu se concentrar profundamente na leitura por seu problema com a dislexia.
Os quadrinhos com seus.... Quadrinhos, apareceram para ele como uma forma muito mais dinâmica e simples de leitura que o marcaram profundamente.
Podemos observar esse impacto na maneira de Zack conduzir seus filmes, em espacial sua técnica sagrada, o Slow Motion.
Ao congelar a imagem Zack consegue trazer para o cinema a mesma sensação que tinha ao folhear uma história em quadrinhos e passar o tempo que quisesse observando seus quadros preferidos, Snyder constrói em seu cinema algumas cenas praticamente como uma história em quadrinhos.
Nunca foi segredo a fixação de Zack pelo visual. A fotografia sempre marcante, o culto ao corpo humano. Sempre criando todos os shots como o perfect shot, porém essa devoção sagrada a imagem é contraposta a um descaso narrativo.
Ao preferir conduzir uma cena unicamente pelo visual Zack quebra o universo imagético do seu filme, o que não é um problema já que o diretor se assume mais como um formalista do que como um realista. Mas ainda assim ao conduzir seus filmes dessa maneira vanguardista, o diretor rompe pilares que sustentam o cinema enquanto forma, como a unidade dramática rítmica total.
Ao organizar tão perfeitamente seus quadros Zack parece se esquecer da história que quer contar, ou ainda, parece saber que tem em mãos uma forma pobre de expressão narrativa e não se incomodar como isso pois está prezando pelo visual. Isso faz com que o diretor tire melhor proveito do plano como algo único do que como uma célula em um corpo maior.
Categorizar Zack Snyder como um artista e/ou uma autor é algo factual, não deveria existir discussão quanto a isso, mas Zack muitas vezes trabalha com a ideia de impacto visual que não funcionam em seus filmes. Cenas como a morte de Jonathan Kent e do General Zod em Homem de Aço, assim como o Superman espancando o Lobo da Estepe no filme popularmente conhecido como " Snydercut" e todo o tom de Watchmen funcionam visualmente mas não funcionam narrativamente com as ideias propostas em seus universos.
Em sua obra mais polêmica, "Batman vs Superman" na cena em que dá título ao filme, vemos uma complexa metáfora visual, a batalha de Batman e Superman é composta de modo similar a morte dos Waynes, os pais do batman. Ao colocar o Superman fechando a mão assim como Thomas Wayne, e mostrar os dois sofrerem pela violência logo após, Zack coloca o Batman como correspondente ao assassino de seus pais. Traçando assim uma poderosa metáfora, mas o problema com isso é que Snyder ao fazer isso quebra seu próprio universo, traindo as regras dessa dimensão cinemática e fazendo os personagens agindo de maneira problemática ao praticarem ações que vão contra sua conduta apenas para satisfazer os caprichos do diretor.
Não há o mínimo de sentido em colocar o Superman fechando o punho e indo para a violência naquela cena, se deixarmos de lado o trabalho visual de Zack por um instante veremos que a nível de história o Superman ao finalmente de ter uma oportunidade de diálogo que tanto queria desde o início do combate, simplesmente fecha o punho e salta para desferir um golpe mortal contra seu rival, sem tomar qualquer tipo de prevenção contra as armas que já sabe que seu oponente possui. Essa cena quebra toda uma narrativa, quebra as regras de um universo apenas para Zack Snyder poder fazer uma metáfora visual.
Esse exemplo mostra como Zack trabalha seu cinema, ao escolher canalizar a narrativa como um história em quadrinhos, o diretor transfere toda a carga ao visual, o que se transforma em um problema quando o diretor se devota tanto a imagem e esquece da narrativa.
Já em Liga da Justiça de Zack Snyder essas questões são diminuídas e Zack mostra um maior senso narrativo, fazendo assim seu melhor filme.
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